A psicanálise trata o transtorno de humor bipolar?

Diego Tiscar

Quando falamos de saúde mental qualquer informação deve ser relativizada, a teoria nunca vai ser de todo fidedigna, ela é um mapa e bons cartógrafos sabem como e quais são os limites da interpretação.

O transtorno de humor bipolar (TAB), outrora conhecido como psicose maníaco-depressiva é uma patologia da psicose: o que isso quer dizer?

Existem três estruturas básicas no psiquismo: neurose, psicose e perversão, cada qual com seu funcionamento e adoecimento específico. Se eu for detalhar as trêss estruturas  o artigo  vai ficar deveras longo e vai perder seu propósito, por isso convido a todos a assistir meu vídeo explicando cada uma delas: link no final do artigo.

O TAB  caracteriza-se por ciclos: um estado depressivo: muitos depressivos descrevem seu estado como a perda da coloração da vida e das forças; já o estado de mania  caracteriza-se pela euforia, o excesso de energia e rebaixamento do juízo, a pessoa faz coisas que jamais faria e permanece em um estado de aceleração e felicidade.

A psicanálise faz uma leitura diferente e complementar àquela feita pela psiquiatria, nós separamos essa descrição da doença em dois, a patologia em si e sua reação.

Freud nomeou o estado depressivo de  melancolía (nomenclatura que já existia, sendo usada por Hipócrates e posteriormente pelos filósofos na descrição de casos semelhantes). O mestre vienense compara a melancolia com o luto.

A comparação freudiana é muito feliz, permite-nos contrapor um estado natural e outro patológico, cujas origens são  semelhantes.

Em ambos temos a perda de algo muito importante (em psicanálise chamamos de objeto, em uma definição rápida objeto é qualquer coisa que receba grande quantidade de carga afetiva). Enquanto que no luto o indivíduo se identifica com a vida, o que permite suportar a perda e posteriormente preencher o vazio deixado pelo objeto perdido, na melancolia a identificação é com a morte, gastando todas as suas energias para manter vivo aquilo que se foi, porém a realidade se mostra impávida e a morte passa a ser o reino do melancólico, é esse movimento a que Freud se referia em sua célebre frase: a sombra do objeto recai. sobre o Eu”.

Temos conhecimento  de que o psiquismo raramente fica estático, mesmo em casos crônicos sempre existe algum tipo de movimento, o gasto de energia psíquica com a identificação com a morte é tão grande, que o psiquismo busca alívio e por momentos consegue escapar do reino de Thanatos.

Nesse momento o alívio é tão grande, que uma sensação de euforia imunda o Eu, é o que chamamos de mania (não tem nenhuma relação com “mania” usada no coloquial “fulano tem mania de contar”, por exemplo).

A mania não é a doença em si, mas uma tentativa do psiquismo do melancólico de buscar alívio. O tratamento psicanalítico do TAB se concentra na melancolia, no estado depressivo, sendo mais específico naquilo que foi perdido. 

Vídeo Neurose, Psicose e Perversão: https://www.youtube.com/watch?v=sEa7V0U0Jug&t=16s&ab_channel=DiegoTiscar

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