O cérebro do solitário

Luiz Roberto Benatti

avisto certa luminosidade

mas não sei onde

ouço vozes

mas são inteligíveis

tateio algo como uma parede cinzenta

mas não sei onde termina

quero correr mas tenho  pés de chumbo

meu ônibus passa amanhã se não chover

o circo está fechado e o boteco não tem mais cachaça

o povo correu para dentro de si mesmo

trancou portas e janelas

e aguarda o pio da coruja na madrugada alta

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