Curva do conhecimento (ilação sobre Chardin)

                                                                                     Luiz de França Roland

                                                                                        O projeto humano é a busca do conhecimento

ARTE:

Música , pintura, escultura etc. não são artes. São música, pintura, escultura etc.

Para mim,  Arte (ver oferta do Croce) é um evento que provoca uma ruptura na curva do conhecimento. O zero é arte!

Arquitetura:

ARQUITETURA E ESCULTURA

    Valendo-se dos conhecimentos concretos da localização, da tipologia, da técnica, da economia, do comportamento humano e da cultura (Enrico Tedeschi) colocadas à sua disposição, a arquitetura é resultado da atividade humana que se propõe adequar (organizar) o espaço humanizado às demais atividades humanas (residência, fábrica, escritório, prisão, espaço urbano etc.).

            Não existe Arquitetura no abstrato. Arquitetura é espaço organizado que visa a atender o desempenho de uma atividade humana pré-determinada. Arquitetura sem  aquilo  a que ela serve e  sem o que ela atende não existe. Assim, arquitetura é uma atividade subordinada às demais atividades humanas. Arquitetura existe porque é requerida por outra, ou outras, atividades.

Todo espaço humanizado, organizado, fechado ou aberto, que atende a uma determinada atividade humana, é arquitetura. A arquitetura, portanto, deve ser reconhecida pelo que ela responde aos requisitos da cultura que procura atender. Não existe um estilo arquitetônico. Existe uma cultura específica à qual a arquitetura atende.

            Quando a Arquitetura visa a atender a uma cultura barroca, por exemplo, ela não é uma “arquitetura barroca” pelo fato de ter adequado uma experiência cultural barroca.  Não tem sentido se valer de uma arquitetura gótica para atender uma atividade, qualquer que seja, da cultura específica da civilização esquimó, por exemplo.

            Além disso, a arquitetura (organização do espaço) deve ser entendida como arquitetura dos espaços humanizados fechados e arquitetura dos espaços humanizados abertos.

            Espaço humanizado fechado é o espaço do interior das edificações complementado pelo espaço adjacente vinculado à edificação, os quais caracterizam a arquitetura propriamente dita. Espaço humanizado aberto é o espaço exterior das edificações: urbanismo. A arquitetura e o espaço humanizado, fechado ou aberto, são sempre essencialmente inclusivos. Não se pode desassociar arquitetura de espaço humanizado. Espaço humanizado, aberto ou fechado, é aquele que apresenta uma – qualquer que seja – circunstância de ação humana.

            Na arquitetura dos espaços fechados, o espaço adjacente aberto vinculado à edificação, o jardim, por exemplo, é paisagismo. No urbanismo, também, o espaço aberto restrito, uma praça, por exemplo, é paisagismo.

            O espaço desumanizado, aberto ou fechado, sem nenhuma circunstância de ação humana não admite uma adequação arquitetônica. Não se produz arquitetura no solo do planeta Marte, pelo menos por enquanto, nem urbanismo no solo da floresta virgem.

            Por outro lado, um edifício desativado, sem uma circunstância humana, vazio, não é arquitetura, é simplesmente uma edificação vazia. Um edifício destinado a um hotel, quando desativado, eliminadas todas as características de hotel, fechado, sem interferência da ação humana, não é arquitetura, é simplesmente uma edificação vazia. Caso a edificação seja reciclada, considerado o fim para o qual se destinará, passará a ser uma nova arquitetura (um hospital, um museu etc.) e como tal deverá ser analisada a sua nova característica arquitetônica.

Arquitetura propriamente dita, do espaço fechado, deve ser analisada a partir do interior da edificação. A fachada da edificação é um componente do espaço fechado adequado a uma atividade cultural específica, é uma resultante da prática arquitetônica. Assim, a fachada da edificação resulta para o urbanismo como uma escultura. A fachada de uma edificação é para o urbanismo como um quadro é para a arquitetura, um componente cultural que completa a arquitetura. Não se pode analisar uma arquitetura a partir da fachada de um edifício! Os concursos e as premiações de arquitetura considerados a partir de desenhos ou maquetes que a transformam em escultura carecem de sentido.

As fachadas do Taj Mahal, em Agra (Índia) e do Teatro Municipal em São Paulo (Brasil), são esculturas que complementam os espaços urbanísticos das cidades em que estão localizadas.

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