O adoecimento na estrutura perversa

Diego Tiscar

Esse texto é a adaptação do vídeo de mesmo nome publicado no meu canal: para uma melhor compreensão recomendo a leitura desse e em seguida assista ao vídeo (https://www.youtube.com/watch?v=Stvqfp9Y4u0&ab_channel=DiegoTiscar)

Para escrever esse texto (e fazer o vídeo) tomei como base dois textos: As Pulsões e seus destinos (1915) e O Fetichismo (1924).

O termo perversão foi cunhado por Krafft-Ebing, fisiologista,pioneiro nesses estudos, nomeou e classificou as perversões pelas práticas sexuais, de acordo com o pensamento da época (para maiores detalhes clique aqui: https://www.youtube.com/watch?v=QsCo_afEOss&t=14s&ab_channel=DiegoTiscar), em As Pulsões e seus destinos Freud parte de um princípio semelhante, as perversões seriam práticas sexuais não comuns aos neuróticos.

Nesse momento e a  diferença entre os pensamentos de Krafft-Ebing e Freud é simples: no primeiro as sexualidades não convencionais são patológicas; em Freud são manifestações que distoam da maioria, ao menos até esse momento.

Já em O Fetiche Freud evoca o termo renegação, anteriormente utilizado na psicose, mas abandonado. Vamos entender.  Freud chega à perversão pela neurose, o neurótico passou pelo complexo de Édipo: a criança se identifica sexualmente com a mãe, que lhe dá amor e atenção, em determinado momento o pai é percebido pela criança, assim como a relação desse com a mãe.

A criança fica curiosa e observa os órgãos sexuais do pai e da mãe, sem entender as diferenças fisiológicas acredita que a mãe foi castrada pelo pai e o mesmo pode acontecer se ele não se comportar. O medo de ser castrado faz com que o menino saia do complexo de Édipo, simbolizando a castração, que se transforma nas leis da cultura.

Na perversão essa última etapa não acontece, a criança não simboliza a castração, a transformando na lei da cultura, assim o perverso renega a castração na fisiologia. O perverso sabe que a castração existe, mas não quer saber da mesma, nesse processo entra o objeto de fetiche, que desvia o olhar do órgão sexual feminino (castrado) para algum objeto qualquer.

O uso do termo renegação coloca a perversão entre estruturas, ela fica entre a neurose e a psicose, é  meio do caminho.

O Adoecimento

Como entendemos o adoecimento mental em psicanálise? Cada estrutura possui suas características, o adoecimento é o agravamento e enrigecimento dessas caracteristicas.

Freud nos diz que o perverso não tem a mesma proteção psíquica que o neurótico, essa é a função da fantasia. O neurótico simboliza a castração, a já o perverso está à flor da pele com a realidade, que é árida e vazia – qual o sentido da vida? Nós é que damos o sentido, essa é a função da fantasia, o perverso pode  deparar com esse vazio e adoecer.

Enquanto o neurótico está dentro da lei, o perverso está dentro e fora, e quando está fora  ele pode  deparar com um vazio devastador. As relações humanas preenchem nossas vidas (por isso o isolamento é tão doloroso) e as relações são realizadas dentro da lei da cultura.

Esse vazio pode dominar a vida, nesse cenário o sentido da vida do perverso passa a ser o vazio, em casos mais graves o perverso desenvolve um quadro de melancolia, Freud descreve a melancolia como a perca de um objeto (pessoa, lugar, situação, memória, qualquer coisa pode ser um objeto, desde que embargado de afeto), nas palavras do mestre vienense: a sombra do objeto perdido recai sobre o Eu; na perversão é a sombra do vazio que recai sobre o Eu.

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