O MEU POEMA TEVE UM ESGOTAMENTO NERVOSO

Daniel Jonas

O meu poema teve um esgotamento nervoso. 
Já não suporta mais as palavras. 
Diz às palavras: palavras 
ide embora, 
ide procurar outro poema 
onde habitar.

O meu poema tem destas coisas 
de vez em quando. 
Posso vê-lo: ali distendido 
em cama de linho muito branco 
sem perspectivas ou desejo

quedando-se num silêncio 
pálido 
como um poema clorótico.

Pergunto-lhe: posso fazer alguma coisa por ti? 
mas apenas me fixa o olhar; 
fica ali a fitar-me de olhos vazios 
e boca seca.

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