Marat levado em triunfo

Luiz Roberto Benatti

Tão logo iniciou-se a vaga dos protestos urbanos, Mário Sérgio Conti e a equipe da Rádio Cultura levaram para o programa Roda viva o líder do movimento reinvindicatório Passe livre, formado em História, e uma estudante de Direito.O programa é uma arena, cujo centro, em plano inferior, é ocupado pelo entrevistado, enquanto que os questionadores dispõem-se no balcão circular do cenário.Teatro de arena ou anfiteatro de assembléia legislativa. No meu modo de entender, o jovem professor  caçou o direito de argumentação dos circundantes, pela rapidez com que respondia com números às perguntas que, por mais pacíficas que parecessem ser, muitas delas tinham pontas afiadas, não fosse por outra razão o seria  porque naquelas primeiras horas a força do movimento tinha sido minimizada e os que protestavam eram vistos como  baderneiros. Até mesmo o espanto pelos acontecimentos, comparado com o que se viu a seguir, era de grau mínimo. O movimento avolumou-se com o fermento das adesões, assim como de sua transposição para os circuitos de televisão. O movimento levou à tartamudez os quadros diários da grade, as novelas murcharam e os bandidos das pizzarias sumiram-se da mídia.O povo nas ruas cresceu tanto, que, na quinta-feira, chegou ao milhão no RJ. Refluíram o governo de Estado, do Município, as câmaras de Brasília e as emissoras de televisão recomendaram aos repórteres que tirassem o pé da rua e fossem trabalhar na  cobertura dos edifícios, ou então que, do alto do helicóptero, com maior ou menor grau de dificuldade, comentassem a movimentação da massa.Comentários descritivos, porque a turba serpentina não tinha voz. Imagens sem som, porque a televisão teme a palavra. O  governo central e os demais governos  estão perplexos pelo fato de, impossibilitados de elaborar um conceito sobre os porquês da agitação, não saber como controlar, manipular ou cessar a agitação. Se o professor de História foi apresentado como líder do primeiro movimento, a marcha dos dias seguintes parecia conduzir-se pelo lusco-fusco das ruas, praças e avenidas, mas não por alguém à frente, inflamado e discursivo. O corpo de Marat boiava na banheira onde Charlotte Corday o matou. Ah!sim, a rapaziada usava pantolons ou calças compridas; não vestiam sabots mas tênis e os carmagnoles, de diferentes grifes, eram vistos ou não se usavam; havia bonés vermelhos, mas também de todas as outras cores. Sans-culottes? Talvez os que foram comer às pressas bolacha e chocolate dAs americanas. No mais das vezes, massa de manobra do PT, os nossos  sans-culottes voltaram como puderam para os barracos de onde, como Lula & caterva, assistiram ao inefável protesto.

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