O mundo inaugural e o  mundo velho e cansado de todos os dias

Luiz Roberto Benatti

Nos atuais protestos de rua, a idéia de que os protesteiros possam estar fazendo algo absolutamente novo ou inaugural enche  de alegria a alma dos figurantes. Se isso ou aquilo já foi feito e não deu em nada, é porque aqueles caras eram uns bananas. Nós salvaremos o mundo dos que querem levá-lo à breca. Nós iremos fazer e acontecer. Um dos meios recomendados para você afirmar determinada coisa é o Google books Ngram viewer. Consulta rápida e segura. Suponha que você queira saber em que época os protestos de rua se iniciaram do modo como se fizeram os últimos entre nós. Não me refiro às greves operárias ou à mobilização da Europa a favor da Primeira guerra mundial. Bote lá algo parecido com “street protest” e alguns segundos depois estarão  estampadas  à sua frente as linhas cartesianas do mapa estatístico com a revelação de que começaram em 1960 e que, por volta do ano 2000, alcançaram o ponto mais alto. Quer isso dizer que existem, de fato, ondas de protesto de rua, assim como o interesse por Sherlock Holmes ou Frankenstein. O período mais intenso de interesse no detetive inglês deu-se entre os anos de 1930 a 1940, enquanto que a busca por informações sobre Frankenstein coincide com o pico dos protestos de rua. Se algo existe de comum entre Frank e a rua, a resposta deverá ser dada por psicanalistas ou sociólogos, todavia a gritaria das ruas e a personagem de Mary Shelley são feitas de retalhos: um pedacinho aqui, outro ali, dedal e agulha e muito tato para não ferir o dedinho.  

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.