Sob o império do kitsch

Luiz Roberto Benatti

O kitsch poderá ser encontrado no quarto, no banheiro, na sala ou na cozinha. Ele não se esconde, porque nele, embutido, existe a mola da revelação. O coração amolece diante do kistsch, ainda que ele não consiga dizer nada além dum balbucio quase inaudível. Os figurantes na multidão não têm rosto nem identidade: são flores cinzentas de papel crepom. Os olhos pusilânimes estão encobertos pela sombra do quépi, enquanto que braço e mão estendidos para o alto mantêm suspensa a respiração dos fiéis. Dos bâners escorre um vermelho sem vigor, os generais fazem mesuras e prometem esmagar o adversário no campo de batalha, a águia imperial empalideceu tanto, que um dia irá esfarelar-se. O kitsch nos acena com a plena gratificação estética  sem qualquer esforço intelectual; sentimental e melodramático, pura imitação dum mundo oco.

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