O poeta pobre

Luiz Roberto Benatti

não escreve na água

secou-lhe o poço da mágoa

não vai  escreve no mar

porque ninguém quer  aclamar

nenhum soneto sobre a chuva?

nunca morou em Catanduva

redondilha no  chapéu?

não sonha em ir para o céu

cesuras  bordadas no casaco?

odeia todos os cossacos

não vai escrever na parede

fica tonto com o balanço da rede

versos tatuados  no braço?

não acenaria do terraço

escrever um épico na toalha?

pano branco, fim da batalha

não escreve na lamparina

nunca chupou tangerina

alexandrinos  na bengala?

não aprendeu a hermética Cabala

poemas de amor no chinelo?

perdeu todos em duelo

um dístico  para a vidraça?

esqueceu-se como se  rima com traça

com canivete na cômoda?

vai propor a Rimbaud nos antípodas

escreva então no travesseiro

antes que lhe chutem o traseiro

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