A fotografia como conhecimento do mundo

Luiz Roberto Benatti

Augusto Pires/Bial é fotógrafo porque seu olho-câmera recorta do chamado universo real paisagens humanas cujas escalas, diminutas, fazem dele um minimalista. Ele começou numa época em que não se usava o celular de modo disparado ou meio psicótico, em que o tênis exibe marca e distinção de classe. Ele é cuidadoso e paciente, porque sabe que o ângulo constrói-se junto com a luz para dar ao cérebro a matéria que o ajuda na compreensão do visível/invisível à nossa volta. Assim, no campo de bocha ele fixa o perfil que se desenha como o de alguém que reflete sobre a geometria do lúdico (no canto inferior, à direita, o branco da camisa configura a elipse da luz) ;na cena da bicicleta à chuva, ele reforma água e asfalto trocando-as por um trecho de areia e mar. Bial persegue o humano: ele sabe por intuição talvez que a fotografia é uma Antropologia, através da qual deveremos escolher não os momentos de poder ou lazer da classe dominante, mas os olhares pré-políticos dos  anônimos cidadãos do andar de baixo.

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