Ruminação de quem passou dos 18

Luiz Roberto Benatti

Quer saber? Fazia 30 anos que você não via o amigo, cruza com ele na rua, aperto rápido de mão seca, quanta chuva, cara, não vai parar e o Inverno foi muito seco e prolongado. Tô assim e assado, mais assado do que assim, o benefício não dá pra nada. Preciso trocar as lentes mas neste mês não posso. Faz 10 anos que não assino jornal. Não vem com esse papo de estar pimpão; tô caindo pelas tabelas, dor no joelho, nas costas, meio careca, lambo com o zóio as meninas cheias de graça, mas elas não me vêem nem à luz do meio-dia. Tamo na chácara, um quarto de alqueire e já ta bom demais, vai lá carpir que você vai ver quanto dói uma saudade. Não, plantei manga bourbom mas a gomose apodreceu tudo. Resolvemos criar umas galinhas, mas os vizinhos descabelados atiraram de paintball nelas. Duas estropiadas. A muié reclamou dos caras às 2 da manhã, música de ensurdecer, o sujeitinho disse pra ela ir tomar Rivotril e dormir. Pensei: vou entrar lá com garrucha e enfrentar o bando pirado. Quem foi? Índio americano fazia sinal de rolo de fumo pra avisar que o mocinho estava no pedaço, hoje o mocinho cheira todas, grita, diz que vai abrir o pulso. Daqui a 5 anos, se tanto, isto daqui vai virar terra de ninguém. Quer saber? Rachar um pouco de lenha não faz mal a ninguém e ainda tomo um tinto por semana. Computador? Tô tentando aprender, porque a neta disse que sou analfabeto digital. Viu o Obama? Se ferrou com a saúde pública.

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