Em Cuba, você não conjuga o verbo no futuro

Luiz Roberto Benatti

Cuba tem passado – prédios muito bonitos de estilo europeu, o mundo hispânico de esplendor e glória. Por isso, a ilha tem presente, tempo que escorre com lentidão, a miséria como um saco de ossos levado às costas, o pau velho que anda aos socos e empurrões, a arenga sem fim da revolução, a descida de Sierra Maestra. Se você tiver paciência, leia o diário da juventude cubana ou a revista online Juventud rebelde. Estão tão fora de sintonia com o mundo update que aprovam o fim do cinema 3D em geral visto nos cafés, bem como os jogos eletrônicos. Em Havana, você poderá, p.ex., deitar-se na praia, diante de Miami, e deixar que os tentáculos dum polvo enlacem seu crâneo. Ninguém irá sentir sua falta, porque Cuba não tem carências, não nutre sonhos, não atravessa a rua, não troca de roupa, não assovia. Cuba existiu um dia, mas foi há tanto tempo que ninguém mais poderá testemunhar sobre isso.

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