CTV tem pressa em  ser o que não deveria vir a ser

Luiz Roberto Benatti

Como a escola deixou de ser o lugar do Conhecimento e a Ética; como a velha família de meados dos anos 50s esfarelou-se: pai encostado na vizinha que trocou o original por vizinho  de motor refundido; como a correção de linguagem virou peça escassa; como o boteco é o Hades dos fins de semana;como o churrasco tornou-se prato obrigatório na religião da nova culinária; como é bem melhor ter um Paulo Coelho na contramão que meio Machado de Assis sob o abajur; como o namoro chega ao fim antes de iniciar-se; como o veículo da moçada é a motocicleta empinável; como o veículo da classe B é a caminhonete de carroceria coberta, sem uso e coberta de pó; como as prostitutas já não fazem mais trottoir porque usam sandália havaiana; como a bermuda substituiu o terno branco de linho e o smoking da filha debutante; como o barbeiro é apenas um inseto transmissor da dengue; como o avô, senil e estropiado, é arrimo de família; como o produtor de açúcar entende que o culpado é a vítima; como o adolescente pirado mata a família e vai à escola; como a mesada curta provoca depressão; como o sexo é apenas assunto de ficção da Playboy; como ninguém mais toma o trem das 11; como a sociedade protetora dos animais dá alforria aos cães submetidos a experimentos medicofarmacêuticos e, de modo algum, estaria disposta a fazer o mesmo com cobra cascavel ou jacaré; como os namorados passam 3 horas na praça de alimentação, um ao lado do outro sem se ver porque têm  olhos e ouvidos colados no celular; como o celular toca a qualquer hora no velório ou no motel; como o administrador propõe aumento do IPTU em 20 e 30% para sustentar o transporte gratuito de massa; como a cerveja estupidamente gelada é empurrada pelo garçom  sem que ele lhe pergunte se poderia estar alguns graus abaixo da estupidez; como o grande craque de ontem é o crack de hoje; como falar do tempo físico e  futebol  continua a ser assunto importante; como o policial morre baleado fardado ou a paisana, o melhor é passar o restante de seus dias no Tibete à espera da Iluminação.

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