Patrão bêbado

Luiz Roberto Benatti

Não dê ouvidos a essa arenga que diz que eu esfolo você e o restante da cambada faço o que faço e vocês fazem o que podem e o que podem é tudo que podem dar enquanto eu dou tudo o que não posso dar porque se não for desse modo eu vou à bancarrota como dizia meu pai ali pelos anos 40s, anos 40s, você está me entendendo, filhote de coisa alguma com cruz-credo que essa coisa de economia é feia como aquela graúna do Zé de Alencar, lembra-se, não você não se lembra de nada porque fugiu da escola, pobre foge da escola e quando vai lá é para comer a bóia do almoço, eu e os irmãos acordávamos às 4 e meia, fizesse chuva ou não, descíamos para a cocheira para botar arreio no burro e na égua, até às 11 e meia quando voltávamos e não era para dormir não, ô bacana, mas para continuar malhando até às 5, veja você que ninguém parava, por isso eu acho que é uma honra para você levar no ombro esfolado esse bauzão  da alemã que se hospedou na pensão do meu avô  que tinha pensão e que ensinou para o meu irmão mais velho tanta coisa que ele virou personagem do Mário de Andrade em Amar, verbo intransitivo, como é isso, não sei bem, porque amar, de fato, é transitivo direto, cuidado com a porta, seu mala, se não eu corto a cesta básica!

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