No parking, no business

Luiz Roberto Benatti

Disse-me o Dr. Owl que as construções da Rua Alagoas, meio do quarteirão, entre a 13 de Maio e a Ceará, onde até há poucos dias esteve o Sérgio, foram postas abaixo até a Pernambuco para transformar-se em estacionamento pertencente a um ex-prefeito. Se a área de abrigo dos veículos for de 2 mil metros quadrados, num dia de agitação motora, o caixa registrará algo em torno de 600 paus. Ajuda bastante no leite das crianças. O velho centrão centenário de Campinas virou estacionamento: a memória arquitetônica da cidade é puro pedregulho. São os famosos prédios de 50 ou 70 anos nos quais moraram papai, mamãe, vovô e vovó, cujos herdeiros, 58 ao todo, envelhecidos, resolveram passar casa e terreno nos cobres. A Catanduva de Sylvio Salles e Antônio Stocco encolheu-se tanto que por pouco não se tornou invisível. O investidor contumaz  é um predador cuja agitada movimentação não poderá ser acuada por cães farejadores. No parking, no business: sem estacionamento, não haverá negócio. O administrador audaz deverá pensar em alternativas que favoreçam a vida dos cidadãos e dificultem o deslocamento neurótico dos automóveis. Temos de infernizar a vida dos motoristas com  calçadões.  No parking: ande a pé pelo centrão, ó atleta do aeroporto.

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