Humanos ou felinos crescidos?

Luiz Roberto Benatti

Os gatos talvez se reconheçam como gatos, mas não sabem que nós nos autodenominamos humanos, desde a Bíblia, quando o Criador, como oleiro, modelou Adão com barro ou húmus, lama de que é feito nossos corpos e os corpos dos felinos. Perfeito pelo menos do ponto de vista do  vocabulário: barro, lama, húmus, humano. Da Bíblia, os gatos só se interessaram pela repartição dos peixes. Há os que odeiam os gatos porque, dizem, são imprevisíveis, independentes, não gostam muito de festinhas na cabeça, reclamam se lhes damos sardinha com cabeça e sem rabo, não gostam de água fria ou quente. Todavia, ao longo dos séculos, acostumaram-se com a idéia de que muitas vezes garantimos-lhes a bóia e o aquecimento no Inverno. Somos para eles pais e mães. Agora, a patroa fica meio furiosa e cheia de gritos quando um desses, veloz como corredor nigeriano, entra casa adentro com um teiú na boca. A patroa arrepia-se com o lagartinho verde, atropela-se nas pernas, berra com o gato, arma-se de vasoura e o bichano, coitado, não entende porque essa mulher apavorada não aceita o mimo que ele, graças às artes marciais de felino, conquistou no pátio ou no quintal. O gato, agradecido, queria apenas dar-lhe um presente!

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