O bafafá de 1935

Luiz Roberto Benatti   Duas ou três da madrugada sem lua e o homem resolveu roubar o porco gordo do dono da venda. O chiqueiro ficava depois da parreira e o poço. Porco faz barulho, mas o homem pé ante pé grudou o bicho escorregadio, enroscou-se no arame farpado com o porco às costas e…

Sem os gays, as grandes literaturas não teriam feito nem para a bóia

Luiz Roberto Benatti    Quantos nomes você quer, além dos de Wilde, Whitman, Virginia Woolf, Sylvia Plath, Somerset Maugham, Tennessee Williams, Auden, Eliot, Lorca, Jean Genet, Gide, Anaïs Nin, Foucault, Cocteau, Thomas Mann, Balzac, João Silvério Trevizan? Particularmente, penso que, entre nós, literatos gays deveriam ser numerosos, dentre outras razões porque, desse modo, poderíamos saber…

A alga e o sapato

Luiz Roberto Benatti  Planeja-se o crime, mas não a dor. Constrói-se o álibi, apagam-se os vestígios, o cabelo desgarra-se do crânio, o sorriso exibe-se num celular. Todos os celulares são locativos, translocativos, relocativos, plurivocativos, audíveis, porém inservíveis depois do último não, do penúltimo não faça, do subseqüente vou gritar. A Bíblia sustém de maneira precária…

Vazios do homem

Dito Inácio   O que havia antes nesse terreno vazio? O que fez com que, de repente, insetos, mato, flores, pássaros, cheiros e estranhezas por ele se interessassem a ponto de  cobri-lo de  sons,  cores,  silêncios e cinzas, seus movimentos furtivos,  mistérios,  sobrevidas,  tramas,  buscas,  fomes,  suficiências? O que é esse espaço, antes vazio, agora…